Método

O trabalho pedagógico, realizado com êxito desde 21/03/2003 pela Associação de Amigos do Autista da Bahia – AMA-BA, é resultado das reflexões acerca dos insucessos, sofrimentos e das experiências negativas vividas pelas pessoas com autismo e seus familiares, no processo de inclusão.

Temos o objetivo de contribuir de forma a preconizar um sistema educacional especializado e personalizado de acordo com a demanda individual de cada pessoa dentro do TEA (transtorno do espectro do autismo), pois acreditamos na capacidade cognitiva de cada um e não desejamos condená-los a uma pedagogia conservadora padronizada que apenas pensa na “inclusão social” sem o menor interesse em apostar na “inclusão cognitiva” dessas pessoas. Atrelar o social à cognição é tarefa a ser empreendida para que a aprendizagem ocorra de fato, de direito e com máximo de leveza possível.

O trabalho com pessoas autistas traz uma gama de inquietações e indagações para os profissionais da área de educação. Os autistas sempre colocam os professores na condição de impotentes mediante as condutas adquiridas: ecolalias, maneirismos, estereotipias, limitações simbólicas, transtornos na fala ou inexistência dela, interação precária, dificuldade de aprendizagem e condutas comportamentais inadequadas, muitas vezes associadas a crises nervosas e “agressivas”.

Para o professor ou mediador, isto se torna um enorme desafio, pois ele precisa conhecer o que é o autismo, quem é o autista, compreender a linguagem corporal, ensinar formas de comunicação, trabalhar as condutas, muitas vezes trazidas de casa de forma inadequada e, principalmente, elaborar mecanismos para romper as dificuldades de aprendizagem que seus alunos apresentam; nesse processo, destacamos as abordagens lúdicas que, como sabemos, possibilita a socialização e facilita a aprendizagem. Outro grande mecanismo é a antecipação de comportamentos ou rotinas, o que garante conforto, maior compreensão e previne de maneira importante as crises nervosas no autista.

Nosso maior desafio, portanto, foi e sempre será o de tornar digno de crédito um trabalho individualizado que nos exige muita abnegação. Nosso fazer pedagógico inicia em uma avaliação extremamente rigorosa, lenta e detalhada; através dela, é possível detectar as dificuldades maiores trazidas pelos alunos e, consequentemente, organizar a montagem do Currículo de Construção Cognitiva com materiais criados, especificamente, para as necessidades individuais de evolução.

Para tornar mais eficaz todo este processo, é necessário elaborar o CURRÍCULO DE CONSTRUÇÃO COGNITIVA e os RECURSOS PEDAGÓGICOS INDIVIDUAIS; a etapa seguinte é a de preparação, instrumentação e, por fim, a formação do professor-mediador. É necessário muito estudo e crença em uma nova teoria, e até mesmo um investimento muito maior na habilidade criativa do professor para transformar a realidade “corriqueira de salas de aula com materiais abstratos”, de difícil compreensão para a pessoa autista, em materiais concretos e aplicáveis na vida prática.

Desde a fundação da AMA-BA temos verificado um aumento expressivo de inclusão da rede de ensino regular dos indivíduos submetidos as nossas técnicas pedagógicas. Esses resultados garantem que estamos no caminho certo da nossa missão principal qual seja, garantir um futuro digno e a inclusão na sociedade dos Autistas.

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