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Critérios da Mediação

Em relação à Teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural, que subsidia os trabalhos da AMA-Ba, foram adotados os três critérios da mediação descritos por Reuven Feuerstein:

Intencionalidade/Reciprocidade

À proporção que o mediador cria significado para um recurso pedagógico para atender a uma dificuldade especifica, como por exemplo a dificuldade de percepção visual, ele irá isolar e interpretar (intencionalidade) o objetivo que ele quer alcançar e apresentá-los de forma clara e compreensível; deste recurso deverá resultar uma resposta (reciprocidade) do aluno. Frente ao recurso criado, o mediador deverá ter a certeza de que está realizando positivamente a mediação e a clareza de que estará ativando a atenção do aluno.

“Por intencionalidade do mediador e reciprocidade do mediando, entende-se a consciência do interventor humano em sua tarefa ante o mediando e o estímulo, ou seja, clareza de suas intenções educativas. Não se ensina ou se estimula para o nada. Há sempre uma intenção, um objetivo, nenhum processo educativo pode ser realizado sem objetivos. Da mesma forma, o mediando deve dar um feedback e estar consciente de que, ante uma situação de aprendizagem mediada, o que se tem não é apenas o cumprimento de uma tarefa, mas uma intenção que transcende a situação posta”. APRENDIZAGEM MEDIADA-DENTRO E FORA DE SALA DE AULA –INSTITUTO PIERON PROGRAMA DE PESQUISA COGNITIVA DIVISÃO DE EDUCAÇÃO ESPECIALIZADA DA UNIVERSIDADE DE WITWATERSRAND –ÁFRICA DO SUL.

“A reciprocidade na interação é crucial, ao mesmo tempo em que a intencionalidade do mediatizador se constata por: estruturar as situações; organizar os estímulos; manter a atmosfera de aprendizagem; preparar o material; suscitar e provocar o interesse e a motivação sobre os conteúdos; investir tempo na verificação dos esforços dos mediatizados; revelar satisfação quando estes sucedem nas tarefas; sentir prazer quando os mediatizados produzem progressos; explicar de novo quando algo não foi compreendido; dedicar mais tempo aos mediatizados mais lentos ou mais passivos; escutar pacientemente as dúvidas ou questões do mediatizado; dar mais tempo a tarefas de aprendizagem, quando necessário; exibir, expor,reforçar e valorizar os trabalhos produzidos pelos mediatizados, colocando questões e perguntas; multiplicar as interações na situação de aprendizagem." VITOR DA FONSECA

Significado

Está intrinsecamente relacionado ao valor que o mediador dará a atividade que foi selecionada. O mediador dará um significado intenso na realização do recurso criado, possibilitando que o aluno passe a desejar e a precisar de significado em todos os recursos criados, levando-os para os aspectos da vida.

“A construção de significados, é quando o mediador trabalha com a elaboração de valores e códigos culturais (linguagem). Para que haja mediação, é necessário trabalhar com o uso apropriado das palavras e a significação de símbolos e representações que estão antepostas ao mediado. O mediador introduz problematizando, conceitos e significados. Afinal o mediado compreenderá uma realidade dada a partir de sua leitura de mundo, que por sua vez é elaborada por sentidos e significados que ele dá aos estímulos de sua realidade objetiva”. APRENDIZAGEM MEDIADA-DENTRO E FORA DE SALA DE AULA –INSTITUTO PIERON PROGRAMA DE PESQUISA COGNITIVA- DIVISÃO DE EDUCAÇÃO ESPECIALIZADA DA UNIVERSIDADE DE WITWATERSRAND –ÁFRICA DO SUL .

“Nesta ótica, o mediatizador deve transformar os estímulos (selecioná-los, sequenciá-los, alterar a sua frequência e intensidade); modificar o seu próprio comportamento (postura, expressão facial, comunicação não-verbal, inflexão da voz etc.); fornecer feedbacks positivos, neutros ou negativos perante certos comportamentos ou respostas dos mediatizados; causar alterações na atmosfera de aprendizagem com recurso a comportamentos antecipatórios; explicar a importância e o valor de certos conteúdos aos sujeitos mediatizados; provocar a emergência de significações pouco óbvias (o currículo invisível).” VITOR DA FONSECA

Transcendência

O objetivo desta mediação é fazer com que o aluno adquira conceitos, princípios ou estratégias que possam ser generalizadas para outras situações de aprendizagem. Por exemplo, quando um recurso foi criado para alcançar um objetivo mas, a partir da mediação, o aluno é capaz de transcender para outros recursos semelhantes ou para outros além do objetivo proposto. Outro exemplo é quando o aluno está trabalhando somente com recursos concretos e, através deles, pode generalizar para uma atividade abstrata de livro. A transcendência permite então uma ponte entre a atividade imediata e outras atividades relacionadas.

“Por transcendência, entende-se algo que foi aprendido e logo foi extrapolado para outras dimensões espaço-temporal da vida do mediado. Ou seja, no processo de mediação o mediador deve ter a capacidade de conduzir o aprendiz para além do problema a ser resolvido. Universalizando ou transcendendo as soluções adquiridas ante uma situação-problema imediata, conduzindo-o a pensar sobre a aplicabilidade destes conceitos em outras situações de sua realidade”. APRENDIZAGEM MEDIADA-DENTRO E FORA DE SALA DE AULA –INSTITUTO PIERON PROGRAMA DE PESQUISA COGNITIVA DIVISÃO DE EDUCAÇÃO ESPECIALIZADA DA UNIVERSIDADE DE WITWATERSRAND –ÁFRICA DO SUL

“Nesta linha, o mediatizador deve relacionar a tarefa com conteúdos prévios ou futuros; revelar as relações entre os conteúdos específicos e inerentes à tarefa com objetivos mais globais; selecionar os conteúdos de acordo com a sequência das situações de aprendizagem subsequentes; assegurar proficiência dos mediatizados nas aquisições básicas e nos hábitos de trabalhar, além das necessidades presentes; suscitar questões do porquê e do “como” mais do que questões do “quem” e do “quê”; explicar as razões das suas ações e decisões; questionar os mediatizados para explicações racionais sobre as respostas e a sua conduta; ensinar fatos; conceitos, princípios e sugerir situações- problema, definições e colocações de problemas; generalizar a partir das instâncias específicas envolvidas nas tarefas; colocar questões que promovam inferência das regras gerais; fornecer “pontes” entre a área dada e outras áreas conhecidas, mas diferenciadas; encorajar os mediatizados a fazer sínteses integradoras entre várias áreas do conteúdo que emergem da resolução das tarefas imediatas.” VITOR DA FONSECA

Todos os três critérios serão e deverão permear o trabalho do Centro Educacional Especializado da AMA-Ba, entendendo que a intencionalidade e a reciprocidade serão mais exigidas do mediador. Para a pessoa com autismo, quando ela sente segurança no professor e quando sua atenção olhos nos olhos (mediador/mediatizado) começa a existir, estes critérios tornam-se os mais importantes. Não existindo, com certeza, o mediador não alcançará seus objetivos propostos.

AMA-Ba - Associação de Amigos do Autista da Bahia

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