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Mediação segura

Mediação com professorNo Centro Educacional da AMA-Ba não existe a condição de que o aluno não aprende ou não há o que fazer. A equipe está sempre orientada a buscar caminhos para intervir, ampliar e elevar o nível de cognição do aluno.

Nossa experiência com adolescentes e adultos, que anteriormente nunca vivenciaram uma escola regular ou especial, demonstra que, no momento em que se inicia uma mediação segura, feita de forma ativa, flexível, resgatam-se com otimismo as respostas dadas por estes alunos; significa que, mesmo privado culturalmente, este sujeito pode ser modificado.

De acordo com Feuerstein, o cérebro é dotado de plasticidade e é possível apostar no desenvolvimento do potencial de aprendizagem, mesmo se o indivíduo possui a deficiência intelectual. Entendemos que o fato de o indivíduo ter o Transtorno Invasivo do Desenvolvimento não pode causar um deterioramento irreversível na cognição do autista. Lutamos para reverter este processo continuamente, no nosso dia-a-dia.

Um aspecto importante que fortalece a nossa proposta de mediação é o estudo comparativo do desenvolvimento da pessoa dita “normal” e do sujeito autista. Ao longo do seu desenvolvimento, principalmente nos primeiros anos de vida, as crianças sem patologias fazem as conexões neuronais de forma equilibrada e seus cinco órgãos do sentido vão se aprimorando para um equilíbrio e maturidade. Os bebês aprendem a: ouvir a voz de sua mãe, a ver e identificá-la; posteriormente distingue a voz da figura paterna e a voz de outras pessoas da família (audição); a sentir o gosto pelos alimentos (paladar); a diferenciar os diversos cheiros (olfato); a permitir o toque no corpo (tato); reconhece a mãe; diferencia as pessoas da família e os estranhos (visão). Este é o curso básico e regular do desenvolvimento dos sentidos. Entretanto, por fatores ainda inexplicáveis, no autista, os órgãos dos sentidos estão em completo desequilíbrio. A impressão é que as conexões neuronais ou não se fazem ou não se completam de forma harmônica; ou ainda, se chegam a fazê-lo, elas ficam armazenadas e não cumprem suas finalidades específicas. É como se os órgãos do sentido estivessem completamente desestruturados sem exercer suas reais funções.

Geralmente nos referimos ao autista como um sujeito que faz “ouvidos de mercador”, como se fosse surdo; podemos observá-lo em várias das suas singularidades: constantemente está com as mãos nos ouvidos; gradua o som ou se afasta de um barulho forte (audição); tem um paladar apurado; come compulsivamente apenas um tipo de alimento; demonstra gosto apurado apenas para tomar leite (paladar); recusa pisar em determinadas superfícies; não permite o toque; tem aversão a materiais ásperos (tato); cheira tudo que lhe chega às mãos ou recusa sentir o cheiro de um alimento, ou ainda prefere cheiros bizarros (olfato); foca apenas determinados objetos ou tem fascínio por eles; olha com distância ou não fixa o olhar no outro; observa apenas contrastes; fixa nas sombras na parede (visão). O autista costuma apresentar algumas dessas características ou apenas uma delas, de forma exacerbada ou todas, de forma marcante.

Quando estes sentidos estão desorganizados, perceber o cotidiano e tudo que se passa ao redor, e até mesmo as coisas que fazem parte da sua cultura, é algo muito difícil. Os sentidos dão a diretriz para uma participação no contexto em que eles estão inseridos, seja família, escola ou outro grupo social. Ao se apresentar desestruturados, raramente participam de uma interação perfeita que possibilite a condição de perceber sua própria cultura. De acordo com Feuerstein, o desenvolvimento cognitivo somente pode acontecer de forma natural e saudável se o indivíduo puder experimentar uma interação humana que lhe forneça os instrumentos para lidar com o mundo.

É notável que uma das maiores dificuldades do autista esteja na interação com o outro. Somando esta dificuldade e a desestruturação dos sentidos, têm-se um sujeito que, se não contar com o apoio de um mediador, por certo, passará por uma privação cultural e, consequentemente, sempre estará inadaptado para um processo de aprendizagem. Assim, cabe aqui ressaltar mais uma vez a importância do

professor-mediador como responsável pelo resgate da organização destes sentidos. É importante lembrar que todos podem aprender e que a inteligência pode ser desenvolvida através da mediação, uma vez que ela é dinâmica e modificável.

O que os cientistas, neuropediatras, psiquiatras e grandes pesquisadores explicam sobre estas desordens também é por nós verificado. Sabe-se, por exemplo, que não é possível encontrar medicações que possam organizar os cinco sentidos da pessoa com TID; muitas vezes essas medicações intervêm nas condutas e melhoram os sintomas. Sozinhos porém, apenas diante de estímulos, sem um mediador que selecione e organize recursos que possam proporcionar um equilíbrio entre os sentidos, a pessoa autista não obtém sucesso na escolarização, não importa se em Centros Educacionais Especializados, nas salas de AEE ou em escolas regulares. A preocupação do CEE da AMA-Ba é de preparar e dar subsídios ao professor para que ele possa perceber esta realidade e através da avaliação sistemática citada no Projeto Político Pedagógico (Currículo de Construção Cognitiva), ele possa proporcionar ao autista um início ou um resgate de sua escolarização.

AMA-Ba - Associação de Amigos do Autista da Bahia

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